RURALCAST destaca protagonismo do povo Paiter Suruí na construção de um modelo sustentável para a Amazônia
A cobertura especial do RURALCAST, apresentada por Adalto Costa, técnico agrícola, economista e representante da AC360 Agro & Cooperativas, registrou um dos momentos mais marcantes do Dia de Campo Paiter Suruí, realizado na Aldeia Lapetanha, na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal (RO).
O entrevistado foi o cacique Almir Narayamoga Suruí, reconhecido internacionalmente como uma das principais lideranças indígenas do Brasil. Durante a conversa, ele apresentou a visão estratégica construída pelo povo Paiter Suruí para transformar a produção agrícola em um instrumento de autonomia econômica, fortalecimento cultural e conservação ambiental.
Ao longo da entrevista, Almir destacou que o desenvolvimento das cadeias produtivas de café, cacau, banana, castanha, açaí, agroflorestas e até da futura pecuária sustentável faz parte de um planejamento construído coletivamente pela governança indígena.
Segundo ele, o maior desafio nunca foi apenas produzir, mas criar um modelo que permita ao povo indígena gerar renda sem abrir mão da preservação da floresta.
"Queremos fortalecer nossa autonomia política e financeira a partir do nosso próprio trabalho. Que as decisões sobre nosso território sejam tomadas pelo nosso povo."
O cacique explicou que a transformação começou com um amplo diagnóstico territorial, seguido do etnozoneamento da Terra Indígena Sete de Setembro e da elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), ferramentas que orientam todas as decisões sobre uso do território.
Para isso, diversas instituições passaram a integrar esse processo, entre elas SENAR, Sebrae, Embrapa, Emater, Banco do Brasil, Basa, Caixa Econômica Federal, cooperativas e universidades, criando uma rede de apoio técnico para fortalecer a agricultura indígena.
Durante a entrevista, Almir também fez questão de desconstruir um dos maiores preconceitos existentes sobre os povos indígenas.
"Os povos indígenas também produzem. Produzem com planejamento, responsabilidade, sustentabilidade, tecnologia e comunicação."
Outro ponto enfatizado foi a importância da organização coletiva por meio das cooperativas indígenas.
Segundo ele, a força do povo Paiter Suruí está na coletividade e na valorização da identidade territorial.
"Nossa força é coletiva. O produto não representa apenas uma família; representa todo o povo Paiter Suruí."
Almir alertou que um dos desafios atuais é preparar os produtores indígenas para a gestão empresarial, educação financeira, legislação tributária e comercialização, garantindo que o crescimento econômico aconteça de forma organizada e sustentável.
Ao abordar o futuro, o cacique revelou uma visão ousada.
Além da consolidação das cadeias produtivas de café, cacau e agroflorestas, ele pretende ampliar projetos de biofábricas de chocolate, beneficiamento da castanha, turismo indígena, criação de indústrias dentro do território e, futuramente, realizar uma grande Feira Internacional dos Povos Indígenas.
"A Amazônia precisa ser desenvolvida com planejamento. O que falta é organização e parceria."
Ele também destacou que práticas hoje conhecidas como agricultura regenerativa sempre fizeram parte da cultura indígena.
"Para nós isso não é novidade. Sempre produzimos respeitando o tempo da terra e da floresta."
Ao encerrar a entrevista, Almir reforçou que seu maior sonho é garantir autonomia plena ao povo Paiter Suruí.
"Quero que nosso povo tenha autonomia política, financeira e qualidade de vida, preservando nossa cultura e nosso território."
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