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Estado de São Paulo confirma 23 casos de sarampo; 16 não se vacinaram

Redação

A Secretaria da Saúde de São Paulo confirmou 23 casos de sarampo no estado. Desses, 16 pacientes não possuíam histórico de vacinação ou tinham o esquema vacinal incompleto.

Entre os casos, dois são importados, e os demais estão vinculados a eles. A distribuição geográfica dos registros aponta para dois casos em São Bernardo do Campo, um em Guarulhos e 20 na capital paulista.

A secretaria estadual de Saúde está convocando os residentes da capital paulista, Guarulhos e São Bernardo do Campo, com idades entre 6 meses e 59 anos, a se vacinarem contra o sarampo. A recomendação é válida independentemente do histórico vacinal, desde que não haja contraindicações.

Para a vacinação, a população desses municípios deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A medida de vacinação indiscriminada foi implementada nessas localidades devido ao risco de disseminação da doença, conforme orientação do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo Prof. Alexandre Vranjac.

Nos outros municípios do estado, a diretriz é intensificar as campanhas de vacinação, verificando o status vacinal da população, realizando busca ativa e atualizando as doses em atraso, seguindo as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação.

Eliminação

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, explicou que o sarampo é uma doença de alta contagiosidade. Ele destacou que as partículas virais, liberadas pela tosse, espirro e fala, permanecem suspensas no ambiente por um período prolongado.

"Mesmo após a saída do indivíduo infectado do ambiente, é possível que outras pessoas sejam contaminadas, o que significa que não é necessário contato próximo para a transmissão", afirmou Kfouri.

Ele acrescentou que "a transmissão ocorre inclusive antes de o indivíduo manifestar os sintomas. Antes de ter conhecimento de que está com sarampo, ele já é um potencial transmissor."

Kfouri, que também lidera a Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo no Ministério da Saúde, alertou que um único caso de infecção pode resultar em 16 a 18 novos casos da doença entre pessoas não vacinadas.

O especialista enfatizou que a imunização representa um avanço crucial no controle do sarampo.

Ele destacou que "o controle do sarampo requer ações vigorosas baseadas em dois pilares: altas coberturas vacinais em toda a população, não apenas em crianças, com o ideal acima de 95%. O Brasil ainda não alcançou essa meta; e vigilância de casos suspeitos."

Além de febre e erupções cutâneas, os pacientes podem desenvolver complicações sérias, como encefalite, pneumonia e amnésia imunológica.

Sobre a amnésia imunológica, Kfouri esclareceu que "após contrair sarampo, o sistema imunológico do indivíduo frequentemente permanece deprimido, o que facilita o surgimento de outras infecções."

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