Rondônia está entre os estados que concentram a maior parte das áreas de assentamentos rurais afetadas pela seca severa no Brasil, segundo dados recentes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O cenário ocorre em meio ao avanço das secas em diferentes regiões do país e à previsão de agravamento nos próximos meses.
O levantamento mostra que o número de assentamentos atingidos pela seca extrema aumentou de duas para 44 áreas entre junho e julho. Já os locais classificados em situação de seca severa passaram de 102 para 309 no mesmo período. Pará, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas concentram a maior parte dessas áreas afetadas.
A situação faz parte de um quadro mais amplo de agravamento das estiagens no país. Em julho, as cinco regiões brasileiras registraram algum nível de seca, e pelo menos 157 municípios foram classificados em situação de seca severa, caracterizada por forte redução da umidade do solo e estresse hídrico na vegetação, com consequências para a produção agrícola.
Tendência de agravamento
O coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Cemaden, José Antonio Marengo, aponta uma tendência de ressecamento em diferentes áreas do Brasil, associada à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas.
Segundo ele, o desequilíbrio entre a quantidade de precipitação e a evaporação pode levar ao agravamento das condições de seca nos próximos meses.
A preocupação é ainda maior diante da previsão de um El Niño mais intenso entre agosto e outubro de 2026. O fenômeno pode alterar a distribuição das chuvas e, historicamente, está associado à redução da precipitação e ao aumento das temperaturas no Norte, Nordeste e em áreas do Centro-Oeste brasileiro.
Para Rondônia, inserida na região amazônica, o cenário representa risco principalmente para comunidades rurais e populações que dependem diretamente dos recursos naturais.
Impactos na Amazônia
A seca tem provocado impactos expressivos na Amazônia nos últimos anos. Em 2023 e 2024, rios de diversos municípios da região atingiram níveis historicamente baixos, deixando comunidades isoladas, prejudicando o transporte fluvial e dificultando o acesso a alimentos e medicamentos.
O problema afeta de maneira mais intensa grupos que dependem diretamente dos recursos naturais, entre eles indígenas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
O monitoramento do Cemaden também aponta crescimento das áreas de territórios indígenas atingidas por seca severa. O número passou de três, em junho, para 17, em julho.
Seca pode assumir diferentes formas
O fenômeno não se manifesta apenas pela ausência prolongada de chuva. A chamada seca meteorológica ocorre quando as precipitações ficam abaixo da média por um período prolongado.
Já a seca agrícola reduz a umidade disponível para as plantas, afetando lavouras e pastagens. A seca hidrológica, por sua vez, compromete rios, reservatórios e aquíferos, com reflexos no abastecimento, na geração de energia, na navegação e na biodiversidade.
Também existe a chamada seca-relâmpago, que começa rapidamente, apresenta forte intensidade e pode durar apenas alguns dias ou semanas. O fenômeno ocorre associado ao calor e à rápida perda de umidade.
Alerta para Rondônia
Com Rondônia entre os estados que concentram áreas rurais afetadas pela seca severa, o avanço do fenômeno reforça a necessidade de acompanhamento das condições de chuva, umidade do solo e disponibilidade hídrica no estado.
A estratégia defendida por especialistas inclui ampliar o monitoramento, os sistemas de alerta antecipado, a recuperação de áreas degradadas e a gestão integrada dos recursos hídricos antes que os efeitos da estiagem se transformem em situações de emergência.