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ASSISTA: Mandiocultura ganha destaque na AGROTEC e busca avançar com tecnologia e certificação

Engenheira agrônoma Laís Mary Lisboa destacou a produção familiar, a atuação da Semagric e os desafios para levar farinha, fécula e outros derivados a novos mercados

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Pavilhão valoriza as raízes da agricultura familiar

Uma das culturas mais tradicionais e importantes para a agricultura familiar de Porto Velho ganhou espaço exclusivo na 2ª AGROTEC. No Pavilhão Nossas Raízes, produtores apresentaram mandioca, macaxeira, farinha, farofa, bolinhos, croquetes, caldos e diferentes derivados.

As atividades foram detalhadas pela engenheira agrônoma Laís Mary Lisboa, durante participação no RuralCast, podcast do Grupo Amazun, transmitido pelo canal Olá Rondônia.

Entrevistada pelo apresentador Inácio Rocha, Laís explicou que o pavilhão foi estruturado para valorizar a origem rural da população, dar visibilidade aos agricultores e aproximar os consumidores do processo produtivo.

“O Pavilhão Nossas Raízes representa as nossas origens. A mandioca é um produto muito importante para a agricultura familiar”, afirmou.

O espaço contou com uma farinheira em funcionamento, permitindo que os visitantes acompanhassem a fabricação artesanal da farinha.

“Ali temos uma farinheira com produção de farinha ao vivo, que toda a sociedade pode acompanhar”, explicou.

Produtos comercializados pelos próprios agricultores

Uma das características destacadas pela engenheira agrônoma foi a participação direta dos produtores. Segundo ela, os itens expostos não foram levados por intermediários, mas pelas próprias famílias que cultivam e processam a mandioca.

“São os nossos agricultores. Não são atravessadores. São pessoas que realmente produzem a mandioca e a macaxeira e expõem seus produtos”, ressaltou.

A comercialização direta aumenta a renda das famílias e possibilita que o consumidor conheça quem está por trás de cada alimento.

Além da farinha, o público encontrou farofa, bolos, croquetes, caldos, goma, fécula e outros produtos preparados a partir da raiz.

Rondônia se destaca na produção de mandioca

Durante a entrevista, Laís apresentou a relevância da atividade para o estado. Conforme os dados citados por ela no podcast, Rondônia ocupa a quarta posição nacional na produção de mandioca, enquanto Porto Velho se destaca como o maior município produtor dentro do estado.

“Rondônia está entre os maiores produtores de mandioca do Brasil, e Porto Velho é o maior município produtor do estado”, declarou.

A cultura está diretamente ligada às pequenas propriedades e à subsistência das comunidades rurais. Entretanto, a proposta das políticas públicas é fazer com que a produção avance para um modelo mais estruturado e comercial.

“A mandiocultura precisa pular de nível. Tem que sair daquela visão somente de subsistência e partir para o empreendedorismo”, defendeu.

Agricultura precisa ser vista como empreendimento

Na avaliação da engenheira agrônoma, o produtor precisa compreender a propriedade como um negócio. Isso não significa abandonar o conhecimento tradicional, mas incorporar planejamento, assistência técnica, controle de custos e tecnologias capazes de melhorar os resultados.

“A agricultura precisa ser pensada como um empreendimento”, afirmou Laís.

A elevação da produtividade passa por investimentos em correção do solo, irrigação, máquinas, mudas de qualidade e organização da comercialização.

“É preciso investir em tecnologia, maquinário, irrigação e calcário”, enumerou.

O uso dessas ferramentas pode reduzir o trabalho manual, ampliar a área cultivada e melhorar a qualidade das raízes destinadas ao consumo ou ao processamento.

Qualidade das manivas preocupa produtores

A mandioca é propagada por partes do caule, conhecidas como manivas. Por isso, a qualidade e a sanidade desse material são determinantes para a formação da lavoura.

“Agora precisamos investir em manivas. O grande foco é ter um material vegetativo com alto potencial produtivo e livre de doenças”, explicou.

Manivas contaminadas podem espalhar pragas e doenças entre propriedades e municípios. Laís defendeu a formação de viveiros, o acompanhamento fitossanitário e a distribuição de materiais selecionados.

“Não tem mais como trabalhar a mandioca de maneira rudimentar e arcaica. Precisamos partir para a tecnologia”, reforçou.

Vassoura-de-bruxa acende alerta

Uma das maiores preocupações discutidas na AGROTEC foi a vassoura-de-bruxa da mandioca. A doença pode provocar deformações, enfraquecimento das plantas e perdas significativas.

Segundo Laís, a enfermidade ainda não havia sido registrada em Porto Velho no momento da entrevista, mas a proximidade do risco exige prevenção.

“Estamos com uma doença batendo à porta, que é a vassoura-de-bruxa. Aqui ainda não entrou, graças a Deus, mas precisamos trabalhar com prevenção”, alertou.

A utilização de manivas sadias, a fiscalização do transporte de material vegetal e a orientação técnica estão entre as medidas necessárias para proteger as áreas produtoras.

“O material precisa passar por vigilância sanitária para evitar a manifestação e a disseminação de doenças”, acrescentou.

Certificação limita expansão comercial

Outro gargalo apontado foi a falta de certificação para produtos de origem vegetal. Sem essa regularização, farinha, fécula, goma e outros derivados enfrentam dificuldades para chegar a mercados de outros municípios e estados.

“Esse é um grande gargalo, porque ainda precisamos avançar na certificação do produto vegetal”, explicou Laís.

Durante a feira, representantes da Vigilância Sanitária, dos serviços de inspeção e de outros órgãos participaram de debates sobre políticas capazes de estruturar esse processo.

“Nós colocamos a Vigilância Sanitária e o sistema de inspeção para discutir políticas que permitam certificar esse produto e levá-lo para outros municípios e estados”, relatou.

A certificação permite comprovar condições sanitárias, padronizar processos e aumentar a confiança dos compradores.

Farinha e fécula agregam valor

A comercialização da raiz in natura representa apenas uma parte das possibilidades econômicas da mandiocultura. O processamento permite ampliar o valor recebido pelo produtor e criar novos produtos.

“A agregação de valor acontece quando você industrializa. Quando a mandioca vira farinha, ela recebe um valor adicional”, explicou.

A fécula e a goma também possuem procura e podem ser utilizadas na alimentação, em panificação e em diferentes processos industriais.

“A fécula e a goma têm muita saída. Existem vários produtos e subprodutos que podem ser aproveitados da mandioca”, acrescentou.

A ampliação das agroindústrias familiares pode gerar empregos, reduzir perdas e manter uma parcela maior da renda dentro das comunidades.

Programação técnica durante os quatro dias

O Pavilhão Nossas Raízes não funcionou apenas como espaço de exposição e venda. Durante os quatro dias da 2ª AGROTEC, recebeu atividades técnicas, debates e orientações para produtores.

O quadro dedicado à mandiocultura abordou temas como manejo, cultivares mais plantadas, doenças, processamento, certificação e aproveitamento de resíduos.

“Durante os quatro dias da feira, trabalhamos com instituições e especialistas para falar sobre técnicas de manejo, cultivares e doenças”, explicou Laís.

A programação permitiu que os agricultores apresentassem dúvidas e conversassem diretamente com pesquisadores e técnicos.

“Foi um momento para o agricultor tirar suas dúvidas e interagir”, ressaltou.

Resíduos podem alimentar animais

Uma das atividades tratou do aproveitamento dos resíduos da mandioca na alimentação animal. Folhas, caules e subprodutos do processamento podem ser utilizados, desde que recebam tratamento e orientação técnica adequados.

“O aproveitamento dos resíduos da mandioca na alimentação animal foi um dos temas trabalhados. Foi uma atividade fantástica”, avaliou.

Esse aproveitamento pode reduzir desperdícios e contribuir para diminuir os custos da criação de animais. Entretanto, o manejo precisa considerar a composição dos materiais e os cuidados necessários para evitar intoxicações.

Variedades para mesa e indústria

Laís explicou que existem diferenças entre os materiais destinados ao consumo direto e aqueles utilizados na fabricação de farinha.

A macaxeira de mesa apresenta níveis menores de compostos tóxicos e pode ser cozida para alimentação. Já a chamada mandioca brava precisa passar por processamento adequado antes do consumo.

“A mandioca brava possui uma quantidade maior de ácido cianídrico e é destinada principalmente à farinha. A macaxeira é utilizada para o consumo de mesa”, explicou.

Entre os materiais destacados está a cultivar BRS 1608, desenvolvida pela Embrapa para as condições de Rondônia.

“A BRS 1608 é fantástica. Ela cozinha rapidamente, em menos de dez minutos”, afirmou.

A Embrapa também disponibiliza variedades que podem ser aproveitadas tanto para consumo de mesa quanto para produção de farinha.

Parceria com a Embrapa

Laís ressaltou a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária no desenvolvimento e na distribuição de materiais produtivos.

“Temos um grande parceiro, que é a Embrapa. Ela está sempre conosco e disponibiliza variedades”, destacou.

Em anos anteriores, a Semagric conseguiu distribuir manivas de diferentes cultivares. Na edição da AGROTEC, produtos oriundos desses materiais foram preparados e apresentados ao público em degustações.

“A macaxeira que foi distribuída anteriormente foi cozida e oferecida à sociedade. A degustação foi fantástica”, contou.

A parceria entre pesquisa e extensão rural ajuda a levar cultivares mais produtivas e adaptadas às propriedades.

Mudanças climáticas exigem adaptação

As temperaturas elevadas de Porto Velho também foram abordadas. No dia da entrevista, a sensação térmica mencionada durante o podcast se aproximava de 46 graus.

Segundo Laís, o calor extremo dificulta o plantio e compromete especialmente culturas sensíveis, como as hortaliças.

“O clima realmente não está fácil. Estamos vivendo um período muito crítico”, avaliou.

Para enfrentar essas condições, os agricultores precisam adotar irrigação, coberturas, sombrites e outras estruturas de proteção.

“Eu não plantaria neste período sem uma cobertura, um sombrite ou um sistema de irrigação. Não dá mais para colocar uma hortaliça diretamente em um sol desse porque ela queima”, explicou.

A engenheira agrônoma também defendeu reflorestamento e ampliação das áreas verdes como estratégias para melhorar o ambiente.

Ciclo de produção varia entre cultivares

O tempo necessário para colher a mandioca depende da variedade, das condições do solo e da finalidade da produção.

Conforme explicado na entrevista, algumas variedades podem ser colhidas em aproximadamente seis meses, enquanto materiais mais tardios exigem cerca de nove meses ou mais.

“A mandioca pode ter um ciclo de seis a nove meses, dependendo da variedade”, informou.

O plantio costuma ser planejado para o período de retorno das chuvas, reduzindo a dependência de irrigação e favorecendo o estabelecimento das plantas.

Extensão territorial desafia assistência técnica

Porto Velho possui uma das maiores extensões territoriais entre os municípios brasileiros. A distância entre as comunidades dificulta a prestação contínua de assistência.

Laís explicou que o atendimento depende de veículos, equipes e planejamento logístico.

“Não tem como manter uma rotina em todas as localidades sem uma logística de carros e profissionais”, afirmou.

Segundo ela, a equipe disponível para assistência técnica enfrenta o desafio de atender comunidades próximas à área urbana, regiões ribeirinhas, assentamentos e distritos distantes, como Nova Califórnia.

“Nós somos poucos agrônomos para oferecer assistência técnica em toda essa área”, observou.

Por isso, parte das atividades precisa ser realizada em ações pontuais, capacitações coletivas e atendimento por meio das associações.

Semagric desenvolve políticas de apoio

A Secretaria Municipal de Agricultura de Porto Velho mantém diferentes iniciativas de apoio aos produtores. Entre elas está o transporte de calcário adquirido coletivamente pelas associações.

“O agricultor se reúne por meio da associação, compra o calcário e faz o pedido de transporte. A Semagric disponibiliza esse transporte sem custo”, explicou Laís.

O calcário é utilizado para corrigir a acidez do solo e criar melhores condições para o desenvolvimento das culturas.

A secretaria também desenvolveu ações para distribuição de mudas de café e pretende retomar o programa, além de manter parcerias para capacitação dos produtores.

Capacitações em parceria com o Senar

Laís ressaltou que a Semagric trabalha em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para oferecer cursos e aperfeiçoamentos.

“Se uma associação necessita de determinado curso, entramos em contato com o Senar e buscamos promover aquela capacitação”, explicou.

As atividades podem atender associações e produtores individuais, abordando manejo, processamento, boas práticas e administração rural.

A capacitação também é fundamental para preparar as famílias que pretendem implantar agroindústrias e comercializar produtos processados.

Apoio às agroindústrias familiares

A Semagric possui um setor voltado à orientação das agroindústrias. O trabalho envolve organização dos espaços, processos produtivos, boas práticas e certificação.

“Existe um setor de agroindústria que orienta como devem ser as instalações, a produção e os protocolos de certificação e boas práticas”, destacou.

Esse suporte contribui para que as estruturas atendam às normas sanitárias e avancem na formalização.

A agroindustrialização permite transformar mandioca, frutas, leite e outros produtos em alimentos de maior valor comercial.

Produção agroecológica é uma das perspectivas

Durante o RuralCast, Laís revelou que pretende fortalecer a produção orgânica e agroecológica no município.

“O meu sonho é criar um programa de produção orgânica e agroecológica e formar produtores agroecológicos”, declarou.

A expectativa é reunir agricultores interessados em reduzir o uso de insumos químicos, preservar o solo e desenvolver sistemas produtivos mais sustentáveis.

“Espero que, na próxima AGROTEC, já tenhamos um grupo de agricultores agroecológicos”, acrescentou.

A proposta poderá envolver associações, produtores particulares, capacitações e parcerias com instituições de pesquisa e formação profissional.

AGROTEC aproxima produtores e instituições

Na avaliação de Laís, a feira cumpriu um papel importante ao reunir agricultores de diferentes regiões do município.

“A AGROTEC foi o momento de interagir e conhecer outros agricultores. Eles também puderam se conhecer e comparar as preocupações de quem está na beira do rio com as de quem produz em outras comunidades”, afirmou.

O diálogo ajuda a identificar dificuldades comuns e elaborar políticas públicas mais adequadas.

“Discutir políticas públicas com os agricultores é fundamental”, reforçou.

Além do conteúdo técnico, o evento ofereceu atrações para as famílias, incluindo animais, piscicultura e atividades voltadas às crianças.

Feira atendeu produtores e consumidores

Laís avaliou que a segunda edição alcançou uma estrutura maior e mais diversificada que a anterior.

“A feira deste ano foi bem maior, e a tendência é evoluir e crescer a cada edição”, declarou.

Para ela, o evento conseguiu atender agricultores, consumidores e diferentes segmentos da sociedade.

“A AGROTEC atendeu ao produtor, ao consumidor e à sociedade. Foi uma festa tranquila, integradora, segura e voltada para a família”, concluiu.

Mandiocultura busca um novo patamar

A participação de Laís Mary Lisboa no RuralCast mostrou que a mandioca continua sendo uma das principais bases da agricultura familiar de Porto Velho, mas a cadeia precisa avançar em tecnologia, sanidade e comercialização.

A produção de farinha ao vivo e a diversidade de alimentos apresentados no Pavilhão Nossas Raízes demonstraram o potencial econômico da cultura.

Para chegar a novos mercados, entretanto, será necessário ampliar a certificação, estruturar agroindústrias, garantir manivas livres de doenças e levar assistência técnica aos produtores.

Com a integração entre Semagric, Embrapa, Senar, órgãos sanitários, associações e agricultores, a mandiocultura poderá deixar de ser vista apenas como atividade de subsistência e assumir um papel ainda maior na geração de renda.


Assista à entrevista completa no RuralCast, pelo canal Olá Rondônia no YouTube:


https://www.youtube.com/watch?v=uFUquG0BdQM

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